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Trabalho de estreia de Guillermo Arriaga lembra parcerias com Iñarritu

7 out 2009 02h39
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Em março de 2007, o aclamado diretor mexicano Alejandro González Iñarritu anunciou que não faria mais filmes com o roteirista Guillermo Arriaga porque ele tinha a péssima mania de querer reivindicar para si a autoria de projetos que fizeram em conjunto. Estamos falando da famosa "trilogia" Amores Brutos, 21 Gramas e Babel. A parceria sempre funcionou assim: Iñarritu dirigia, Arriaga escrevia. Mas acabou. E numa espécie de tentativa de repetir a fórmula (ou seria vingança?), Arriaga trouxe ao mundo The Burning Plain, seu primeiro trabalho na direção que estreou no Festival de Veneza no ano passado e só agora pôde ser conferido pelos brasileiros no Festival do Rio.

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The Burning Plain poderia ser classificado como uma retomada dessa trilogia, amada por uns, detestada pela grande maioria. Como nos outros projetos da dupla, o filme conta três histórias aparentemente sem conexão. Uma mulher (Kim Basinger) que morre numa explosão com seu amante, uma outra mulher (Charlize Theron) que luta contra a depressão dormindo com vários homens e uma dupla de pulverizadores rurais que trabalha na fronteira com o México. Conforme a trama se desenrola, vemos que se trata de uma coisa só. Revelar mais que isso seria um ato de crueldade para quem ainda não conferiu essa obra.

O apurado senso estético de Arriaga é aproveitado neste filme, mas não dá para deixar de compará-lo a outras obras de Iñarritu, que poderia, como comprovou em experiências anteriores, fazer um longa muito mais impactante. Se em Babel, a direção contribui para que você compreenda completamente a história sem pistas invasivas que dão na cara o que vai acontecer, em The Burning Plain já dá para sacar toda a trama nos primeiros minutos de projeção.

Talvez por isso, o filme não ganhou a enxurrada de prêmios que seus três antecessores. Pelo menos aqui, Arriaga deixa de lado o discurso social para contar uma trama moral, que tenta dizer o quanto atos irresponsáveis do passado podem interferir no futuro. Certamente uma evolução aos temas batidos já explorados anteriormente.

E é sempre prazeroso ver o crescimento de Charlize Theron como atriz. Ela, que já foi considerada personagem fútil do cenário Hollywoodianom se desdobra para fazer papeis de destaque, ampliando as boas escolhas, a exemplo de No Vale das Sombras, Monster e Terra Fria. No papel da mãe em seu pior momento está Kim Basinger, que dispensa apresentações.

Apesar de ter passado batido pelos Estados Unidos, The Burning Plain é certamente um bom filme e deveria ser assistido por quem já conhecia os trabalhos de Arriaga como roteirista. Vejamos agora qual será a vingança de Iñarritu.

Cena do filme
Cena do filme
Foto: Divulgação
Fonte: Terra
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