65º Festival de Veneza

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65º Festival de Veneza

Sexta, 29 de agosto de 2008, 10h15 Atualizada às 10h15

"Dirigir foi o momento mais feliz da minha vida", diz Arriaga

Orlando Margarido
Direto de Veneza

Sem entrar em polêmicas, o roteirista e agora diretor mexicano Guillermo Arriaga usou de cortesia para responder a uma pergunta sobre seu modo de filmar e o do cineasta Alejandro González Iñárritu, com quem se desentendeu depois de colaborar em três de seus filmes, a exemplo de Babel. "Fizemos ótimos trabalhos juntos", disse. "Isso teve um tempo e agora cada um segue seu caminho".

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Ele preferiu comentar a experiência de dirigir The Burning Plain, primeiro trabalho por trás das câmeras, sem abandonar o ofício de roteirista. O filme em competição, estrelado por Charlize Theron e com Kim Basinger e o ator português Joaquim de Almeida no elenco, foi exibido hoje de manhã pela imprensa e bem recebido.

"Posso assegurar que foi o momento mais feliz da minha vida até hoje; tivemos situações de muito entendimento e humor no set", lembrou.

The Burning Plain é em boa parte um filme também de Charlize Theron, e isso ficou claro nas conversas entre atriz e diretor durante o encontro. Além do papel principal, a atriz participou da produção, sua quarta experiência no ofício.

"Desde Monster - Desejo Assassino~ já venho me exercitando, aprendendo algo sobre produção, e achei que esse era um projeto que gostaria de ajudar a formar, de trabalhar para que ele existisse", disse.

Arriaga elogiou a intérprete não só por seu empenho nas filmagens, mas também no papel de produtora. "Charlize foi fundamental na construção desde o início desse filme".

Apesar do empenho em manter a discussão dentro desse âmbito profissional, a atriz foi obrigada a responder a galanteios, proposta de casamento e mesmo "de que lado ela dorme".

De bom humor, ela entrou no jogo e soube acabar com as brincadeiras. "Vou dormir do lado em que você não estiver", respondeu ao interlocutor.

No que conta ao espectador, The Burning Plain faz jus ao conceito de cinema de Arriaga no sentido da sua marca já registrada de história. O formato de histórias que correm paralelas prossegue neste drama.

Charlize Theron é a responsável por um restaurante com aparente volatilidade no amor. Há os irmãos mexicanos que vivem feliz com a filha de um deles e o casal de amantes (Basinger e Almeida) que trai seus respectivos parceiros. Duas tragédias, uma delas com os amantes, outra com um dos mexicanos, vão aproximar os dramas dos personagens.

"É importante também a questão dos lugares, dos ambientes em que o filme se passa, entre o deserto da fronteira com o México e na cidade de Portland, no Oregon, onde chove muito, é sempre cinza", explicou o diretor.

"Isso influencia na vida dos personagens, tanto que no início pensei em batizar o filme de Os Quatro Elementos".

Hábil no que sempre soube fazer na escrita, Arriaga conduz bem na tela a dúvida do espectador quanto aos pontos de contato no enredo e o tempo entre passado e futuro. Mas alguns jornalistas comentaram que Iñárritú fez falta na costura final.

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