65º Festival de Veneza

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65º Festival de Veneza

Segunda, 1 de setembro de 2008, 12h08 Atualizada às 12h05

"Me interessa a realidade, não os símbolos", diz diretor turco

Orlando Margarido
Direto de Veneza

O concorrente turco Süt (leite), o segundo filme da competição da noite de ontem, integra uma trilogia do diretor Semih Kaplanoglu, realizada de trás para frente. Yumurta (ovo), o primeiro filme, mostra o protagonista Yusuf com 40 anos.

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Este, o segundo, mostra sua crise de passagem da vida adolescente para adulta. O próximo trará Yusuf criança. Recebido com cautela, numa acolhida apenas simpática, Süt foi visto como um trabalho simbólico graças a alguns recursos, digamos, metafóricos, como a referência constante a cobras.

Fala-se muito pouco no filme também, deixando a introspecção fazer seu trabalho nas interpretações. A decisão faz parecer que o diretor deixa ao espectador o encargo de decifrar o que se passa com o protagonista e nem todos os espectadores aceitaram o convite.

Dedicado à poesia, o jovem mora com a mãe num vilarejo da Turquia. Sobrevivem da produção de leite e queijo. Nesse cotidiano tranqüilo surgem algumas novidades na vida do jovem, com a publicação de seus poemas e a tentativa de ingressar no exército.

A relação com a mãe também é abalada quando ela conquista um admirador e tem a chance de renovar um pouco sua vida. O diretor justifica que na Turquia esse momento de passagem é muito duro para os jovens, que têm de tomar decisões, escolher um caminho, separar-se da família.

"Foi essa realidade que me interessou e quis mostrá-la da forma mais clara possível; não enxergo simbologias nessa história, isso não me interessa", disse.

Especial para Terra

Getty Images
Filme <I>Süt</i> é destaque em Veneza
Filme Süt é destaque em Veneza

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