65º Festival de Veneza

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65º Festival de Veneza

Quarta, 3 de setembro de 2008, 09h33 Atualizada às 09h33

Diretor constrói América multiétnica em filme com Anne Hathaway

Orlando Margarido
Direto de Veneza

Em Rachel Getting Married, filme do diretor americano Jonathan Demme apresentado em competição na manhã desta quarta-feira no Lido, a personagem do título está prestes a se casar com um advogado negro numa cerimônia hindu. A irmã mais nova (Anne Hathaway), em recuperação numa clínica para viciados, chega para acompanhar a festa e reabre velhas feridas. Foi durante uma de suas crises que a caçula perdeu a direção do carro e matou o irmão. Tragédia suficiente para muita roupa suja e toda a tensão que se mantém até o final.

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Chama a atenção, no entanto, a variedade de etnias que Demme põe em cena, complementada por convidados orientais e a trilha sonora, com a música de cítara e o samba. A questão, claro, veio a baila na entrevista para jornalistas logo depois da sessão.

Perguntou-se se Demme não seria otimista demais na sua visão de convivência e tolerância nos Estados Unidos. "Acredito que essa América existe", respondeu o diretor. "Esse grupo de múltiplas etnias foi surgindo aos poucos e de forma natural no filme, só me dei conta quando o roteiro de Jenny Lumet começou a ganhar cara nos atores selecionados".

Demme acredita que uma das razões para chegar a essa representação de diversidade étnica venha de seu trabalho como documentarista. "Mesmo quando se faz ficção não se esquece a realidade, para mim é o mesmo ponto de partida e eu acho que meus trabalhos de pesquisa e investigação acabam resultando também para filmes como esse".

Demme também lembrou a liberdade que teve nesse projeto. "Isso pode ser visto até no jeito de filmar, em que procurei seguir algumas orientações do Dogma", disse, referindo-se ao movimento dinamarquês de regras próprias, como a câmera na mão.

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