65º Festival de Veneza

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65º Festival de Veneza

Quinta, 4 de setembro de 2008, 12h22 Atualizada às 12h23

Cineasta americana leva Iraque e testosterona a Veneza

Orlando Margarido
Direto de Veneza

Única mulher entre os diretores que concorrem em Veneza, Kathryn Bigelow é conhecida por realizar filmes masculinos como K-19, The Widowmaker, cuja trama se desenvolve num submarino. A diretora volta ao contexto militar e ao mundo dos homens, desta vez no universo de uma unidade especial atuante na guerra do Iraque, em The Hurt Locker.

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O filme foi exibido na manhã desta quinta-feira para jornalistas e teve recepção moderada, com alguns aplausos. É um filme que tem seu valor no gênero de guerra, com uma face mais humana do que espetacular, mas questionável por dar voz aos soldados americanos em ação, deixando aos iraquianos apenas a condição de figurantes.

"Nos Estados Unidos há pouco acesso a imagens, a qualquer material que conte um pouco mais de verdade sobre o que acontece no Iraque; minha intenção foi investigar uma pequena parte desse painel e dar-lhe face humana", disse a diretora.

Esse registro pontual a que se refere a diretora contempla a unidade de combatentes especializada em desarmar bombas, inclusive os chamados homens-bomba, suicidas que levam os explosivos em seus próprios corpos.

Enquanto se acompanha as missões numa Bagdá vazia e destruída, fica se conhecendo também o cotidiano e os pensamentos dos soldados. Sempre tenso, o filme explora situações que podem parecer inverossímeis, dado que a diretora justifica.

"Não há registros desse tipo de trabalho que é feito no Iraque; isso não chega à televisão; o roteirista Mark Boal ficou muito tempo em Bagdá acompanhando essas missões para podermos saber como funciona", disse.

Bigelow também explicou a razão da citação que abre o filme, que se refere à guerra como uma droga que vicia as pessoas. "Foi um jornalista do New York Times que fez essa referência e achei que aí estava o ponto de partida psicológico que necessitava para trabalhar a face humana desses soldados", completa.

A diretora também concordou com uma opinião de que boa parte dos jovens americanos pode estar aderindo ao front pelo desemprego existente nos Estados Unidos. Disse esperar, no entanto, que o país se retire o mais rápido possível do Iraque, onde já morreram quatro mil jovens que permanecem sem identidade, e que torce para Barack Obama vencer a eleição. "A opinião pública americana sobre o conflito está mudando, o que também deve ajudar essa retirada."

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