
Atualizada às 13h31 A maioria dos filmes em competição exibida até agora apresentou razões para se discutir a favor ou contra, mas o título argelino Gabbla (ou interior, no sentido geográfico do termo) foi o único a provocar uma debandada geral de jornalistas da sessão.
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É verdade que o festival já caminha para o final, com apenas mais dois filmes a ser apreciados em concurso, o italiano Il Seme della Discordia - um título dúbio no caso, que sugere o sentido universal de A Semente da Discórdia, mas também O Sêmen da Discórdia, já que se trata da mulher de um jovem estéril que aparece grávida - e The Wrestler, do inicialmente cultuado diretor norte-americano Darren Aronofsky (Réquiem para um Sonho) que vem perdendo a mão. Há poucas chances, portanto, do quadro de apostas se modificar com alguma surpresa.
O filme da Argélia também foi prejudicado, dessa forma, pela configuração atual da mostra. Os jornalistas estão cansados, alguns já foram embora do Lido para acompanhar o final da decisão em casa, e a longa duração da fita, de 140 minutos, seus intermináveis planos e a pouca ação só fez piorar esse painel.
O drama do diretor Tariq Teguia está longe de ser descartável, mas para compreender sua proposta há que se vencer a aridez - que nesse caso, vale o trocadilho, corresponde à narrativa e ao cenário do deserto argelino.
Um técnico contratado vai para o interior do país para começar a instalar a rede elétrica entre as aldeias e ligá-la à capital. Num desses lugares isolados e miseráveis, é bem recebido por alguns moradores e comerciantes, mas também hostilizado por representantes do poder, como a polícia local. Seu cotidiano também é alterado com a chegada de uma imigrante negra, fugitiva provavelmente de algum país vizinho em conflito. O homem a acolhe, mas logo ambos são obrigados a fugir.
O diretor tem pouca disposição para comentar o contexto de seu filme, mas essa explicação seria importante para entender a razão de alguns dramas em jogo. Ofereceu, contudo, algumas pistas na entrevista aos jornalistas.
"Queria mostrar uma Argélia mais profunda do que aquela urbana das grandes cidades, que está esquecida, abandonada", diz. "Por isso escolhi um tom contemplativo, meditativo, porque a gente daquela terra do deserto é assim".
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