
Atualizada às 14h41 Orlando Margarido
Direto de Veneza
Desta vez não é pela boa qualidade dos filmes que o júri terá dificuldade de eleger o Leão de Ouro, como aconteceu no ano passado. Em 2007 havia 12, do russo Nikita Mikhalkov, O Segredo do Grão, do tunisiano Abdelatif Kechiche, Redacted, do americano Brian de Palma, Lust, Caution, do chinês Ang Lee, que afinal repetiu o prêmio máximo de Veneza, depois de O Segredo de Brokeback Mountain dois anos antes. Os demais também saíram com seu quinhão do festival, o que permitiu um questionamento quanto a um provável loteamento de prêmios. Mas foram todas premiações justas, afinal.
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Pobre júri deste ano. É impossível torcer com veemência por qualquer um dos 21 concorrentes. Mais fácil é apontar premiações dignas entre categorias especiais, como melhor prêmio do júri, que cairia bem para o turco Milk, o argelino Gabbla (interior, no sentido geográfico) ou a co-produção ítalo-brasileira Birdwatchers.
Pensando em uma perspectiva política e de mea culpa, o etíope Teza poderia ser uma escolha plausível, já que toca na ferida da guerra da Abissínia, que perpetrou a invasão italiana na Etiópia.
Os troféus de ator e atriz também permitem apostas mais razoáveis, com a presença sempre radical de Dominique Blanc, desta vez no título francês L'Autre, e das americanas Charlize Theron (The Burning Plain) e Anne Hathaway (Rachel Getting Married), não tanto pela interpretação acima da média, mas por uma ligação com Hollywood que Veneza adora cultivar.
Não seria de surpreender uma atitude patriótica local se fosse uma atriz italiana a escolhida, como Isabella Ferrari no dramalhão Un Giorno Perfetto.
Entre os atores, a performance de Mickey Rourke, que não é senão de seu próprio momento de reaparecimento no cinema, tem a face de um prêmio de resistência.
Correriam por fora um prêmio de reconhecimento com a cara da Itália para Silvio Orlando em Il Papà di Giovanna, ou politicamente correto para o grupo de índios cayowás em Birdwatchers.
Entre os diretores, considerando todos os nomes que assinam os filmes já citados, Guillermo Arriaga poderia ser uma escolha impactante, no sentido de apontar o novo, não faltasse à primeira direção do roteirista mexicano justamente impacto.
Essa idéia o júri talvez alcançasse de maneira bem-sucedida ao reverenciar Kathryn Bigelow, única mulher presente na competição cujo filme The Hurt Locker chegou ao topo da preferência da crítica italiana, única votante num registro diário do festival.
O público também gostou, mas ainda prefere a animação Ponyo on the Cliff by the Sea. Mas apesar da constância das animações nos grandes festivais internacionais, é pouco provável que os títulos do gênero saiam com um prêmio de destaque.
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